Azoospermia

Homens em idade reprodutiva produzem, em média, 96 milhões de espermatozoides por ejaculação [Cooper et al., 2006]. A azoospermia é o termo médico usado para descrever a ausência completa de espermatozoides no sêmen. Esse diagnóstico é relativamente raro — ocorre em cerca de 1% dos homens e está presente em 10% a 15% dos casos de infertilidade masculina [Esteves et al., 2011; Aziz, 2013]. Em aproximadamente dois terços dos homens com azoospermia, o problema está relacionado a uma falha no funcionamento dos testículos, que deixam de produzir espermatozoides ou produzem tão pouco que não saem no sêmen. Essa condição é chamada de azoospermia não-obstrutiva e representa a forma mais grave de infertilidade masculina [Esteves et al., 2013].

A azoospermia deve ser confirmada por meio da centrifugação do ejaculado e da análise microscópica do sedimento, a fim de excluir a presença de raros espermatozoides não evidenciados na análise inicial, condição conhecida como criptozoospermia [Cooper et al., 2006; Cocuzza et al., 2013; Miller et al., 2017]. Muitos laboratórios realizam análise do espermograma sem centrifugação para segunda análise e acabam por não encontrar raros espermatozoides em até 35% dos casos [Ron-El et al., 1997]. Além disso, o diagnóstico de azoospermia deve ser confirmado por meio de uma ou mais análises seminais subsequentes, uma vez que há a possibilidade de azoospermia transitória decorrente de doenças febris/infecciosas, exposição a agentes tóxicos ou térmicos, ou erros na coleta ou na análise seminal [Castilla et al., 2006; Kumar, 2013; Cocuzza et al., 2013; Esteves, 2015]. A confirmação do diagnóstico de azoospermia se faz com pelo menos 2 amostras centrifugadas com intervalo mínimo de 2 semanas entre elas [Coccuza et al., 2013]

Tipos de Azoospermia

A azoospermia é dividida em dois tipos principais: obstrutiva e não-obstrutiva [Coccuza et al., 2013].

Azoospermia obstrutiva

Nesse tipo, o homem produz espermatozoides normalmente, mas há um bloqueio em algum ponto do trajeto entre o testículo e o canal ejaculatório, que fica dentro da próstata. Esse bloqueio pode acontecer por diferentes motivos:

  • Vasectomia (causa mais comum e adquirida);
  • Cicatrizes após infecção ou trauma;
  • Ou ainda por malformações congênitas, quando o homem nasce sem os ductos deferentes ou com epidídimo ausente, total ou parcialmente.

O prognóstico é excelente, pois os testículos funcionam normalmente. Nesses casos, o principal desafio é fazer com que o espermatozoide chegue ao sêmen, o que permite a gravidez natural. Após vasectomia, geralmente é possível realizar a reversão cirúrgica com ótimos resultados. Nos casos congênitos ou quando há cicatrizes irreversíveis, é possível coletar espermatozoides diretamente do epidídimo ou do testículo e utilizá-los em uma fertilização in vitro (FIV).

Na azoospermia obstrutiva, pode haver obstruções por cicatrização de infecções ou traumas no epidídimo (em cinza) ou no ducto deferente (tubo em vermelho), assim como o homem pode ter nascido sem essas mesmas estruturas, impedindo a saída dos espermatozoides produzidos nos testículos.

Azoospermia não-obstrutiva: quando o problema está na produção dos espermatozoides

Ao contrário da forma obstrutiva, a azoospermia não-obstrutiva representa uma situação mais delicada, pois está relacionada à falência dos testículos na produção de espermatozoides. Em outras palavras, o bloqueio não é o problema: o que ocorre é uma alteração na própria espermatogênese, o processo de formação dos espermatozoides.

Diversos fatores podem causar essa condição [Esteves, 2015], entre eles :

  • Distúrbios hormonais — quando há deficiência na produção ou na ação dos hormônios que controlam a fertilidade;
  • Alterações genéticas;
  • Uso de anabolizantes e outras toxinas;
  • Infecções testiculares;
  • Traumas;
  • Exposição prolongada ao calor, radiação ou pesticidas, no ambiente de trabalho ou de vida;
  • Histórico de câncer e tratamentos como quimioterapia ou radioterapia;
  • Criptorquidia — quando o testículo não desce para a bolsa escrotal durante o desenvolvimento.

Mesmo com tantas possíveis causas, em cerca de 40% dos casos a azoospermia não-obstrutiva é considerada idiopática — ou seja, não conseguimos identificar com precisão o motivo da falha testicular.

Qual o médico que trata da Azoospermia?

O médico especialista em Azoospermia é o Urologista.

Dr. Arnold Achermann é Urologista em Londrina, e é especialista em Azoospermia não-obstrutiva. Concluiu Fellowship em Infertilidade Masculina sob orientação do Dr. Sandro Esteves, na Clínica de Reprodução Humana Androfert (Campinas), e Observership no Hospital Inselspital em Berna, Suíça e no Johns Hopkins Hospital em Baltimore, EUA.

Membro da ESHRE (European Society of Human Reproduction and Embryology) e SBU (Sociedade Brasileira de Urologia). Tem Mestrado em Azoospermia – Ciências da Cirurgia pela UNICAMP.

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Referencias:

1- Cooper TG, Hellenkemper B, Jonckheere J, Callewaert N, Grootenhuis AJ, et al. Azoospermia: virtual reality or possible to quantify? J Androl 2006; 27: 483–90.

2- Aziz N. The importance of semen analysis in the context of azoospermia. Clinics (Sao Paulo) 2013; 68 Suppl 1: 35–8.

3- Esteves SC, Miyaoka R, Agarwal A. An update on the clinical assessment of the infertile male. [corrected]. Clinics (Sao Paulo) 2011; 66: 691–700.

4- Esteves SC, Agarwai A. The azoospermic male: current knowledge and future perspectives. Clinics (Sao Paulo) 2013; 68 Suppl 1: 1–4.

5- Esteves SC. Clinical management of infertile men with nonobstructive azoospermia. Asian J Androl. 2015 May-Jun;17(3):459-70. doi: 10.4103/1008-682X.148719.

6 – Miller N, Biron-Shental T, Pasternak Y, Belenky M, Shefi S, Itsykson P, Berkovitz A. Fertility outcomes after extended searches for ejaculated spermatozoa in men with virtual azoospermia. Fertil Steril. 2017 Jun;107(6):1305-1311. doi: 10.1016/j.fertnstert.2017.04.005.

7 – Ron-El R, Strassburger D, Friedler S, Komarovski D, Bern O, Soffer Y, Raziel A. Extended sperm preparation: an alternative to testicular sperm extraction in non-obstructive azoospermia. Hum Reprod. 1997 Jun;12(6):1222-6. doi: 10.1093/humrep/12.6.1222.

8 – Cocuzza M, Alvarenga C, Pagani R. The epidemiology and etiology of azoospermia. Clinics (Sao Paulo). 2013;68 Suppl 1(Suppl 1):15-26. doi: 10.6061/clinics/2013(sup01)03.

9 – Castilla JA, Alvarez C, Aguilar J, González-Varea C, Gonzalvo MC, Martínez L. Influence of analytical and biological variation on the clinical interpretation of seminal parameters. Hum Reprod. 2006 Apr;21(4):847-51. doi: 10.1093/humrep/dei423.

  • – Kumar R. Medical management of non-obstructive azoospermia. Clinics (Sao Paulo). 2013;68 Suppl 1(Suppl 1):75-9. doi: 10.6061/clinics/2013(sup01)08.
  • Bernie AM, Mata DA, Ramasamy R, Schlegel PN. Comparison of microdissection testicular sperm extraction, conventional testicular sperm extraction, and testicular sperm aspiration for nonobstructive azoospermia: a systematic review and meta-analysis. Fertil Steril. 2015 Nov;104(5):1099-103.e1-3. doi: 10.1016/j.fertnstert.2015.07.1136.
  • Achermann APP, Pereira TA, Esteves SC. Microdissection testicular sperm extraction (micro-TESE) in men with infertility due to nonobstructive azoospermia: summary of current literature. Int Urol Nephrol. 2021 Nov;53(11):2193-2210. doi: 10.1007/s11255-021-02979-4.
  • Brannigan RE, Hermanson L, Kaczmarek J, Kim SK, Kirkby E, Tanrikut C. Updates to Male Infertility: AUA/ASRM Guideline (2024). J Urol. 2024 Dec;212(6):789-799. doi: 10.1097/JU.0000000000004180.
  • Minhas S, Boeri L, Capogrosso P, Cocci A, Corona G, Dinkelman-Smit M, Falcone M, Jensen CF, Gül M, Kalkanli A, Kadioğlu A, Martinez-Salamanca JI, Morgado LA, Russo GI, Serefoğlu EC, Verze P, Salonia A. European Association of Urology Guidelines on Male Sexual and Reproductive Health: 2025 Update on Male Infertility. Eur Urol. 2025 May;87(5):601-616. doi: 10.1016/j.eururo.2025.02.026.

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